Indústria de roupas vs Indústria de calçados (segunda parte)

- Existe uma terceira via? -

Enoch Eduardo Sousa Filho*

Na edição anterior, falamos sobre o declínio do setor de confecções[bb] em Jequié; tecemos alguns comentários sobre os porquês da implantação de uma fábrica de calçados[bb], e, comparamos, à luz da teoria econômica, algumas vantagens e desvantagens de cada setor para o município. Agora, para finalizarmos, o que não significa esgotar o assunto, abordaremos mais alguns pontos e tentaremos convergir para uma solução onde todos saiam ganhando.

Deve haver motivos para que a industria calçadista esteja se deslocando do Sul para a região Nordeste do país... Mas o fato é que a fábrica de sapatos está instalada aqui, e como todo empreendimento, precisa produzir resultados[bb], e o que foi feito está feito. Mas ainda há que se medir o saldo entre o custo para trazê-la e os resultados obtidos para o município e comparar com o impacto que poderia ser causado se fossem adotadas outras alternativas.

A indústria de roupas jequieense (indústria aqui entendida como várias fábricas do mesmo setor) não está mais competitiva em preço, pois, além da concorrência advinda do processo de globalização, outras localidades têm crescido em importância neste segmento, a exemplo de Feira de Santana e Lauro de Freitas, o que tem dividido ainda mais um mercado que antes era atendido pelas fábricas de Jequié.

No entanto, há um esforço por parte das de confecções da região de Jequié para enfrentar a situação, se mobilizando em forma de associação, unindo forças em busca de soluções. Para restabelecer a competitividade, é importante dispor de informação estratégica sobre os mercados onde se pretende atuar, facilitar o acesso a serviços de apoio à produção (insumos, tecnologias, processos produtivos, modelagem das peças, dentre outros) e profissionalizar a gestão das empresas.

A sugestão é para que as fábricas atuem em duas frentes: a primeira - iniciar uma cooperação mais efetiva entre si, fazendo marketing institucional, desenvolvendo ações para a ampliação do mercado final e fazendo parcerias visando a aquisição de fatores de produção.

O segundo ponto, é cobrar do poder público, nas esferas municipal, estadual e federal, um posicionamento a favor da indústria do vestuário, dada a sua importância como geradora de emprego e renda. Não se trata aqui de invocar o Estado centralizador e paternalista, modelo de gestão que está se esgotando, mas requerer do poder público, que ao desempenhar seu papel de fomentador do desenvolvimento, que o faça levando em consideração as potencialidades e vocações locais.

É interessante pensar alternativas[bb], é importante traçar um plano estratégico. Quem sabe Jequié não volta a se destacar neste segmento? Por que não ensaiar parcerias envolvendo roupas, sapatos e acessórios? A fábrica de calçados teria condições, por exemplo, de auxiliar na abertura de novos mercados para a indústria de confecções. Do artesanato local podem sair acessórios para a vestimenta. Tudo uma questão de boa vontade e criatividade.

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* Texto escrito em janeiro de 2004 para a revista Contexto - de circulação municipal, coluna Análise Regional.

Veja também:
Indústria de roupas vs Indústria de calçados (parte 1) - Vejamos se há lógica em jogar para escanteio a indústria de confecções, e porque os sapatos se tornaram a menina dos olhos.

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